A China e o consumo

Nós somos completamente ignorantes quando o assunto é o comportamento de consumo chinês. Antes de vir para cá, eu não tinha ideia do que seria essa experiência. Muita gente (ainda) acha que a China deve ser algum tipo de grande SAARA (local do centro do Rio, onde lojas vendem bugigangas chinesas aos montes), ou, que tudo aqui é aquela confusão que vemos nos filmes, comida de rua, muita fumaça, gente comendo carne de cachorro e espetinhos de escorpião, esses clichês que criamos sobre os lugares. Claro, algumas dessas coisas ainda existem, são bem polêmicas até.  Mas há muito mais do que isso. A China é uma potência quando o assunto é tecnologia e comportamento de consumo.

IMG_5634

Um leitor de código QR do We Chat no caixa da loja, por onde você paga a sua compra.

Para começo de conversa, aqui na China, mal uso dinheiro vivo. A única coisa que ainda exige dinheiro (mas mesmo assim, existe a opção de cartão de transporte, acredito que inclusive com possibilidade de baixar o código QR do cartão para o celular), é ônibus e metrô. Mas até isso está atualizando, já podemos encontrar alguns aceitando a leitura do código pelo celular.

Para compras, seja em restaurantes, mercados, lojsa, uso sempre o celular pelo aplicativo We Chat, que compra até passagens de avião e reserva hotéis! Além de ser uma “carteira”, ele também é chat, recarrega créditos no celular, compartilha links para sites, traz promoções de algumas marcas na palma das suas mãos (você compra em algum lugar e pode ter acesso às promoções do estabelecimento diretamente por ele, é tudo automático). Para quem vem ficar um tempo aqui a passeio (o visto de turista é válido por 30 dias), recomendo muitíssimo baixar o app. O Whatsapp fica praticamente obsoleto perto dele. Lembrando que para acessar Whatsapp, Facebook, Twitter, Instagram, Netflix, a gente precisa assinar um VPN por aqui. A internet na China é limitada às redes sociais do ocidente.

Para suas compras online, existe o TaoBao, que é um E-bay, ou Ali Express daqui e é a melhor opção. Pelo site, você compra até feijão! Sim, compra-se de tudo, de produtos de beleza, a roupas, até material de construção, comida, tudo mesmo. É um hipermercado na palma da mão. Tudo isso chega rápido (depende da entrega, mas geralmente chega), na porta da sua casa. O entregador do kuaidi (entrega expressa) inclusive liga para o seu celular para avisar que chegou. Ou seja, nem precisa sair de casa, para comprar nada, se não quiser! Surreal, né? Ok, ok, a gente já tem diversos serviços de entrega no Brasil, mas eu garanto que os chineses usufruem muito mais disso que a gente. Tem kuaidi (as caixas de entrega ficam no primeiro andar dos prédios) a dar com o pau aqui! Até na calçada do lado de fora dos condomínios, você encontra pacotes. Pensa que alguém leva? Não. Afinal, as leis aqui são bem rígidas e vivemos num grande Big Brother o tempo todo. Depois a gente acostuma e passa até a gostar. A segurança aqui é muito grande mesmo.

INJOY

Um dos meus shoppings favoritos aqui em Huangdao, o antigo Injoy, e agora Wuyue oferece lojinhas de design baratinhas como a Miniso, The Green Party e Sanfu. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_2125

O interior do Wanda Mall tem arquitetura que aproveita a luz do dia. (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

Aqui em Qingdao, a quantidade de shoppings aumenta consideravelmente a cada ano. Já notei uma grande diferença desde que vim nas férias em dezembro, comparando com agora no meio do ano. Não acho, porém, dentro de shoppings o movimento das lojas muito grande. Confesso que não entendo como sobrevivem, principalmente as lojas chinesas e marcas de luxo, que costumam estar vazias. Mas, de repente eu que não vi o total de vendas delas por mês, e estou aqui ignorante e supondo que não vendam…

IMG_4974

Ainda em dezembro de 2017, a primeira H&M de Huangdao estava em fase de abertura. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright)

As marcas como a H&M e Uniqlo, Zara e afins vivem cheias. Você encontra aqui todas as principais marcas internacionais. Não é difícil para nós ocidentais encontrar o que a gente gosta de usar, porque inclusive, aqui tem os outlets dessas marcas. Aí é que mora o perigo! Huangdao tem um outlet chamado Rio Carnival (sim, é isso aí) e lá tem adidas, Nike, New Balance, Levi’s, Lee, Gap, Sketchers, Converse…ou seja, difícil manter o bichinho consumista adormecido. Sim, é MUITO mais barato que comprar em outlets do Brasil. Acredite, eu frequentava o Shopping São Gonçalo, o Nova América, o Outlet de Caxias, no Rio, e os preços são bem mais em conta aqui na China.

IMG_4979

A Miniso, que já tem lojas no Brasil em São Paulo e Rio de Janeiro, é uma marca com design japonês, produzida na China. É a famosa “não preciso disso, mas vou levar, é tão barato!”. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright)

A experiência do mundo automatizado passa até pelas vending machines. Aquelas maquininhas que nós brasileiros ainda vemos muito tímidamente em estações de metrô e outros locais. Você encontra sempre em estações de metrô, em shoppings, até dentro de algumas lojas. Dentro de lojas você pode se surpreender inclusive com os artifícios utilizados para te manter lá dentro. Outro dia, passeando no Wanda Mall, entrei em uma dessas lojas. Por aqui, encontramos cabines de karaokê individuais. Sim, se estiver afim de cantar, é seu momento de ter cinco minutos de fama, nem que seja para si mesmo! Uma loja de roupas multimarcas feminina tinha três dessas dentro do ambiente de loja. Eles não estão de brincadeira, apesar de parecer! O consumo aqui é quase como uma experiência lúdica. Há máquinas que te entregam um suco de laranja espremido na hora. Tudo feito em menos de cinco minutos, por uma máquina-robô. Você pode pagar com seu celular, usando o código QR.

Achei ótima essa reportagem do South China Morning Post sobre isso, mostra na prática como funciona a tecnologia do consumo atualmente na China:

photo visual china

Uma máquina dentro de um supermercado, lê o código QR. Essa foto é em Pequim, em 2014. (Foto: Visual China)

Assista aqui, uma máquina de suco de laranja em ação: https://www.instagram.com/tv/BlClSYiBe43/

O comportamento de consumo chinês está há anos luz do que nós experimentamos no Brasil, ou até, em alguns lugares da Europa e EUA. Eles são ousados, não têm medo de arriscar, portanto, não é difícil serem inovadores e te surpreenderem com o inusitado. Me divirto em uma ida ao mall, sempre!

Há controvérsias sobre tudo ser via celular, devido ao governo monitorar absolutamente tudo que o consumidor faz. Todos os passos, todas as compras, são registradas e o governo tem acesso a isso. Alguns chineses ainda preferem usar dinheiro vivo para suas compras, mas é cada dia mais raro isso acontecer. A tecnologia vence pela praticidade.

IMG_5149

Grandes marcas internacionais dividem a calçada em Pequim. (Foto: Maria Claudia Pompeo – dezembro 2017/Copyright).

Ainda tenho muito a absorver nessa minha temporada morando aqui. Sou ainda uma iniciante nesse quesito de consumo chinês, mas o que posso observar é ipsis literis o que a Angela Wang fala sobre isso neste Ted Talks sobre este assunto. A China avança a passos largos. Primeiro, pela questão da tecnologia móvel. Segundo, que acredito que os investimentos em apps e experiência de compra seja um foco imenso do governo chinês. Eles querem o chinês consumindo aqui dentro, mas também, querem trazer novos consumidores mundiais para cá. Por exemplo, o reconhecimento facial aqui, já é uma realidade em diversos lugares.
Minha porta de casa, por exemplo, usa a biometria! Imaginem como isso acaba se refletindo no restante das coisas, como por exemplo, na experiência de compra? Não é por acaso (não mesmo), que esse país está engolindo economicamente as maiores potências mundiais (EUA e União Européia). Ainda é apenas o começo do que no meu ponto de vista, vai englobar mundialmente. A China pode até ser ainda bem fechada para algumas coisas (os impostos aqui para produtos importados de outros países ainda são consideráveis), mas não resistirá à globalização que tudo isso a obriga a ter. É inevitável que a abertura total, aconteça de forma gradual. Acho que nos próximos 10 anos pelo menos, a China terá estendido inúmeras pontes comerciais até lá. Aí o mercado de outros países provavelmente tentarão recuperar o tempo perdido e se atualizarem como ela. Será que teremos um mundo totalmente automatizado em todas as esferas em algumas décadas?

Outro questionamento que me vem sempre, com tantos produtos e tanta facilidade: e a sustentabilidade? A China tem gente demais, anda consumindo demais. Aqui, a consciência sustentável ainda não se disseminou como em outros países, e me incomoda muito  ver que tudo é embalado em plásticos (acredite, até um limão individual, vem em uma embalagem plástica), todas as bebidas têm canudos (às vezes já enfiados no copo), e há bastante desperdício de comida (os chineses gostam de ostentar e a prosperidade é demonstrada à mesa, então pedem comida demais, bebida demais). Acredito que as soluções para tudo isso tem que começar a aparecer agora, senão esse avanço todo pode correr o risco de virar contra o país. Ficando atenta desde que me mudei para cá, tentando fazer o meu, mas ainda assim, engatinhando nesse assunto.

Angela Wang (sócia do Boston Consulting Group na área de varejo), dá uma palestra sobre a experiência de consumo chinesa neste Ted Talk de dezembro passado. Se quiser se aprofundar nesse assunto, dá play neste vídeo.

Fim de semana em Xangai 上海

Aqui na China, nós estrangeiros somos obrigados a seguir bem direitinho as leis para expatriados. Isso inclui ter seu visto em dia (claro), e também que provavelmente se você está por aqui em Qingdao, vai precisar dar um pulinho em Xangai (ou Pequim) para renovar e deixar seu passaporte em dia.

Aconteceu de termos que ir (claro que adorei) e acho que vale um post para contar o que deu pra ver em um final de semana lá em minha primeira vez em Xangai.

IMG_5305

Posando no Bund com a skyline e cartão postal de Xangai ao fundo. (Foto: Arquivo Pessoal).

Primeiro de tudo, em Xangai você vai a todos os lugares de metrô, ônibus ou ferry boat. O metrô pode ser a melhor opção, já que o trânsito por lá é realmente pesado, o que torna uma visita mais curtinha, essencialmente otimizada por ele. Compramos esse cartão que dá para usar em todos os meios de transporte e custa 20 CNY para adquirir (tipo os cartões de metrô recarregáveis do Rio, sabe?), você carrega quantos créditos quiser. Para os três dias que ficamos, pusemos 30 CNY de crédito em cada e andamos de metrô todos os dias para todos os lugares. Você compra na bilheteria do próprio metrô mesmo, podendo recarregá-lo na máquina depois, ou, através de aplicativo no celular. Aqui na China, aliás, seu grande aliado é o celular! Ele é seu banco, inclusive. Ande com ele carregado, leve um powerbank sempre contigo para garantir a bateria extra. Mais para frente no blog, vou falar sobre a tecnologia do consumo aqui na China.

My-Shanghai-Public-Transportation-card

O cartão do metrô que você usa em ônibus e também barquinhos (ferryboat).

Baixei o app do Trip Advisor no celular e ele foi bem útil nessa correria. Principalmente para pegar os endereços corretos dos locais que a gente queria ir e ver os comentários do povo que já tinha ido.

IMG_3249

Uma panorâmica do Templo Jing’an. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Jing’an Temple

Na sexta-feira, como estávamos em função do visto, só conseguimos ser liberados à tarde. Conseguimos, apesar da chuva, visitar o Jing’an Temple. O templo fica bem no meio da cidade, contrastando com a confusão e correria típicas de uma cidade grande. Apesar da chuva, foi um passeio e tanto. Lindíssimo e de cair o queixo, você pode percorrer os cantinhos do templo, esbarrando com os monges no meio do caminho. Chegamos em cima da hora para fechar mas conseguimos ver tudo, o que deu em torno de uma hora. Você paga o ingresso que custa 50RMB (cerca de R$25) cada. É um ótimo tema para suas fotos que ficarão lindíssimas e para desacelerar um pouco da viagem.

IMG_3241

Mesmo com chuva, achei que valeu a visita. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3245

Essa cena é frequente nestes templos. Acho lindo demais! (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3248

O contraste do templo Jing’an com a skyline moderna de Xangai, impressiona. (foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Museu da Ciência e Tecnologia

IMG_3338

A área dos bichos empalhados. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Começamos o sábado com um passeio que na minha opinião, é mais pra crianças que qualquer coisa, no Museu de Ciência e Tecnologia de Xangai. Ali, a gente vê um cenário montado com bichos empalhados (que eu fico com muita dó e esquisitice de ver, confesso),  um espaço explicando os robôs, a história do universo, essas coisas de museu de ciências, rs.  O lugar é lindo, mas o conteúdo é bem lúdico. Acho que perdemos muito tempo ali, meu marido curtiu, então tudo bem, né? Foi bom por um lado, porque estava chovendo desde que chegamos na cidade e deu tempo de estiar e conseguimos sair já com menos chuva dali.

IMG_3308

A entrada do Museu da Ciência e Tecnologia impressiona pela arquitetura. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3324

Bichos empalhados? Sim, temos. (Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Embaixo, na estação do metrô que dá na entrada por onde chegamos ao Museu, tem um Fake Market (AP Plaza). Ali sim, pode ser interessante para quem quiser aproveitar para algumas compras. Nós não estávamos nessa pilha, então só vimos por alto e seguimos para nosso passeio. Todas as marcas e suas devidas cópias estão disponíveis por um excelente preço. Não sou nada a favor de pirataria, mas na verdade, o negócio aqui é bem mais escancarado que no Brasil. Fica difícil resistir às tentações se você tiver um bichinho consumista adormecido aí dentro. A gente acaba comprando alguma coisa, SIM, mais cedo ou mais tarde.

Tianzi Fang

IMG_3384

A muvuca aqui é real, mas é tolerável! Aliás, o que torna esse lugar pitoresco é a quantidade de gente espremida entre essas ruelas. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Seguimos o passeio  para TianZi Fang, uma área charmosíssima cheia de ruelas com lojas antenadas, bares, comidinhas e souvenirs. É supercheio, muito turista (chinês e estrangeiro), mas vale muito a pena. Dá para se embrenhar por ali e ir fazendo suas compras em lojinhas escondidas cheias de produtos originais (artesanato, lenços de seda, camisetas com silks legais e outros), rodeadas por uma arquitetura antiga e preservada. É uma vila da velha Xangai que transformaram em um lugar cheio de charme. Imperdível!

IMG_3389

Lojinhas para comprar souvenirs, lojas de camisetas e muito mais para aproveitar em Tianzifang. (Maria Claudia Pompeo/Copyright)

IMG_3393

As estampas originais das t-shirts. Custam 99 CNY cada, até tamanho XL.

IMG_3406

Um barzinho num dos becos de Tianzifang. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3407

A vibe da Tianzi Fang é essa. Muitos lugares escondidinhos e surpreendentes. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3411

Um artista faz recortes com sua foto! Vi este e depois em outro local, outro fazendo a mesma coisa. Deve ser uma rede, mas achei tão lindo e um presente original! (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

New York Style Steak & Burger

IMG_5255

Esse foi o do meu marido. Na verdade, o meu não era tão impressionante, mas não pecava em nada. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Tanta andança dá fome! Se der e estiver por Tianzi Fang, aproveite para comer hambúrger no New York Style Steak & Burger. Você vai curtir um Hambúrger de Angus, maravilhoso! Sério, dá água na boca só de pensar. É em um daqueles bequinhos, não lembro agora a localização correta, mas não é difícil de encontrar no Trip Advisor! Comi um Mushroom Swiss, com queijo suíço e cogumelos, que estava divino (66 CNY).

IMG_3400

Foto para não esquecer onde tem hamburger bom. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3396

Uma foto do cardápio para a posteridade. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Old Town (Nanshi)

IMG_3441

Olhe para cima e veja essa lindeza! Para baixo, lojinhas e restaurantes. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Para o turistão que quer se jogar mesmo, nada melhor que passear na China com aquela arquitetura antiga de fundo de paisagem para as nossas milhares de fotinhos, não é mesmo? Eu adoro! Então, a dica é ir até a Old Town, curtir um passeio a pé, entre aquelas construções de arquitetura chinesa antiga, comer umas coisas, comprar outras. Aliás, falando em comprar, aqui vai aparecer para você a famosa mocinha que oferece ir na casa de chá. Na verdade, não sei bem se foi isso mesmo, mas recusamos todas as abordagens, da casa de chá (procure por esse golpe na China, sim, aqui tem golpes também), até a “oferta” de bolsas e relógios (fake). Passeamos, tiramos várias fotos e pronto. Não sei se foi o tempo corrido, mas achei aqui meio turistão demais, sem muita coisa que me desse vontade de explorar. Vale a visita se você quer comprar.

IMG_5281

O clima da Old Town é bem turístico. Comércio bombando! (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

IMG_3448

Parece pintura, mas é foto mesmo. Aquele ali atrás é o maior prédio de Xangai, O Xangai Tower. Adoro esse contraste velho x novo! (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright)

The Bund

IMG_3499

Foto tirada da muretinha do Bund, que dá para ver a Torre de Pérola (Pearl Tower), o Xangai Tower e as muitas luzes. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Se você não foi ao The Bund, você não pode dizer que foi a Xangai. É dali, daquela beirada, que a gente vislumbra a cidade mágica de Xangai, do outro lado do rio. Demos sorte, escolhemos meio sem querer esse lugar por último e conseguimos um visual de tirar o fôlego bem na hora do por do sol. Arruma um lugarzinho na grade e aprecie a vista! Ferry boats e barcos tipo reboque, passeiam para lá e para cá nas águas, os prédios vão acendendo suas luzes coloridas e tudo fica muito mais mágico nesse momento. ❤ Foi ali que Xangai me conquistou de vez.

IMG_5348

O espaço na grade é disputado. Se arrumar um, fica ali até enjoar. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

Xintiandi

IMG_3628

O charme de XIntiandi são os muitos bares e restaurantes. (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright).

No domingo, tínhamos pouco tempo até o nosso voo de volta a Qingdao, por isso, resolvemos visitar uma região que me foi bastante indicada. Xintiandi é o que podemos rotular de local phyno. As marcas famosas dividem espaço nos arredores com marcas independentes, pequenas shops com produtos originais, além de um espaço lindo a céu aberto com diversos restaurantes e bares.

IMG_3599

Uma área do bairro que tem um shopping pequeno e algumas vitrines bapho. (foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright)

IMG_3632

Peguei em flagrante um dos cozinheiros saindo (deve ser para fumar). Cheio de mesinhas do lado de fora, esses bares e restaurantes convidam para sentar! (Foto: Maria Claudia Pompeo/Copyright)

Acredito que aqui tenha mais apelo mesmo à noite, onde deve rolar o fervo. De dia vimos muitos turistas, claro, mas não deu para sentir o que é Xintiandi de fato, que me parece ser um lugar muito boêmio pela qualidade dos bares e restaurantes ali.

Escolhemos um restaurante espanhol para saborear umas tapas e uma cervejinha de leve (os preços aqui são bem mais salgados do que estamos acostumados na China), mas valeu. Comidinha gostosa e fresca como as tapas de frutos do mar devem ser.

Legal também é olhar as vitrines maravilhosas. Meus passeios sempre incluem isso, porque quero me informar como pesquisadora sobre o que está rolando na moda e assim, acumular pesquisas de varejo e tendências. Amo todas, desde as independentes, às mais famosas como Vera Wang (noivas deslumbrantes).

Xangai me surpreendeu demais nesses três dias corridos, mas cheios de lugares incríveis. Se eu voltaria? Genteeee, eu moraria lá, feliz da vida! Xangai respira arte, cultura, ryquezah, tudo que a gente ama!

Gostaram desse post? Compartilhe com os amigos que você acha que podem gostar também! Se quiser ficar por dentro de todos os posts, segue o blog, assim você não perde nada! Obrigada pela visita!

Xièxiè! 谢谢! 再见!

Onde é Qingdao? 青岛

Qingdao (pronuncia-se TINDAO) é uma cidade da província de Shandong ao Nordeste da China. Se a gente nadar, chega lá nas Coréias. É bem em frente!

huangdao2

Vista da orla em Huangdao, distrito de Qingdao. (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

Moramos exatamente no distrito de Huangdao, que fica a um túnel (submerso) de distância  do centro de Qingdao (uns 30min a 40min daqui de casa sem trânsito), ou, se preferir ir de ponte, a uma distância da maior ponte do mundo sobre água. Sim. Essa ponte é famosa, gente! Há controvérsias e polêmicas sobre esse assunto, pois os EUA têm uma ponte que também é considerada a maior do mundo, mas, prefiro acreditar que a daqui é a maior. Afinal, orgulhinho bobo de quem mora aqui, né?

huangdao

Nós na orla de Huangdao pertinho de casa, brincando de drone. (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

Vídeo institucional da ponte:

Aqui também almeja virar a Hollywood chinesa. É ousado? É! Os chineses são ousados, não à toa se tornaram uma potência mundial, né? Uma mega empresa milionária chamada Wanda apostou todas as fichas (e muitos, MUITOS dinheiros) em uma estrutura imensa de estúdios de cinema (são em torno de 30 atualmente e serão 40 no futuro), 2 gigantescos tanques d’água para filmagens submersas (dizem ser os maiores construídos no mundo, mas aqui é tudo megalômano mesmo rs), uma ilha artificial com cidade cenográfica e um shopping gigantesco chamado Wanda Mall que possui salas IMAX e dois parques temáticos internos para crianças de todas as idades.

IMG_1865

Wanda Mall, todo temático em torno do mundo cinematográfico. (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

IMG_2125

O interior do Wanda Mall tem arquitetura que aproveita a luz do dia. (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

IMG_2100

A cidade cenográfica construída ao lado do shopping é ótima para tirar fotos! (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

IMG_2102

A Hollywood chinesa tem até morro com letrinhas. Eu acho que ali está escrito Wanda Studios. Alguém sabe? (Foto: Maria Claudia Pompeo)

IMG_2105

A velha Shanghai na cidade cenográfica do entorno do Wanda Studios. (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

Qingdao também é berço do Taoísmo na China, além do Budismo e Confucionismo. Confúcio aliás, nasceu na cidade de Qufu, em Shandong.  Isso significa que por aqui, a gente encontra muitos destes templos e montanhas onde essas filosofias se espalharam. Eu AMO a linha oriental de pensamento e suas tradições e visitei alguns desses templos em um passeio aqui mesmo em Qingdao, para as montanhas de Laoshan, que são beijadas pelo mar em sua costa. Sou do Rio e amo as paisagens da minha cidade, me senti familiarizada com a vista deslumbrante de montanha-mar aqui na China. Me emocionei de verdade nesse passeio. Uma das fotos de destaque da capa do blog é de lá.

IMG_5774-EFFECTS

Laoshan é de tirar o fôlego! (Foto: Maria Claudia Pompeo/ copyright)

kuan yin

Kuan Yin, minha Deusa amada, abençoando. Literalmente chorei com essa imagem! (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright).

laoshan

Montanha e mar, numa paisagem inesquecível! (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

laoshan2

Um dos muitos templos de Laoshan. A paz é realmente sentida aqui! (Foto: Maria Claudia Pompeo/copyright)

Huangdao e Qingdao estão se desenvolvendo muito rápido. Voltei daqui em janeiro deste ano e em maio já vi muita novidade. Eles constroem tudo muito rápido! O Wanda Mall e Studios por exemplo, ainda não estavam prontos em dezembro, nem sabia da existência.

Tenho muito mais a falar dessa cidade e de outros lugares por onde passei e ainda vou passar aqui na China! Por ora, fica o gostinho pra você.

Assista o vídeo que tem muitas imagens lindas aéreas de Qingdao!


https://www.youtube.com/watch?v=mHuYQfwltr0

Gostou do post? Não quer perder nada? Siga o blog!

Xièxiè! 谢谢! 再见!

De repente, vim morar na China!

Resolvi começar este blog para registrar essas lembranças que estão se formando ao longo das minhas experiências aqui e para ter um lugar virtual onde eu possa ter acesso a elas sempre!

Acho que este espaço será uma mistura de  blog pessoal e também dicas com a intenção de mostrar as minhas viagens, dos locais por onde for na Ásia e em outros lugares durante minha estadia aqui na China. Ainda estou em fase de experimentação com este blog, que nasceu pouco depois de criar uma conta no Instagram (@derepentechina , segue lá!) para mostrar as imagens e vídeos das minhas pesquisas sob meu olhar de coolhunter de moda, varejo, consumo, comportamento, cultura, música e gastronomia.

Minha vinda para a China aconteceu de forma inesperada. Uma oportunidade de trabalho surgiu para o meu marido, primeiro temporária (ele passou um total de cinco meses com intervalos morando aqui na China e eu lá no Rio de Janeiro), e agora voltou com um contrato de longa duração.
No primeiro momento vim a passeio, enquanto ele ainda estava em missão curta, passei um mês aqui de férias com ele para compensar os meses que ficamos separados. Resultado? Me apaixonei pelo país imediatamente! Apesar de durante o mês de dezembro somente ter ido até Qingdao, onde moramos atualmente, e Beijing, já deu para sentir que a China havia definitivamente me conquistado.  Resumindo, foi um pouco de tudo: a cultura, o contraste do antigo com o moderno, a simpatia dos chineses, os templos de tirar o fôlego, as paisagens, o visível desenvolvimento urbano, a segurança, isso tudo foi crescendo dentro de mim.

Laoshan

No frio e na beleza de Laoshan (Qingdao, China) – dezembro 2017

Voltei ao Brasil em Janeiro de 2018 já com saudades daqui, mas sem saber que íamos voltar para ficar desta vez, bem mais tempo. Em março de 2018 meu marido recebeu a notícia de que teria que voltar. Ele teria 20 dias para se preparar e ir. Eu seguiria depois, com nosso filho felino, Ubirajara (@birathecat) , que infelizmente faleceu repentinamente nos meus braços, uma semana antes do meu marido ir. Como consequência, muita tristeza envolvida e traumas à parte, sem tempo para pensar, tivemos que esvaziar o apartamento alugado do Flamengo no Rio de Janeiro na correria, marido indo mais uma vez e mais um mês pra longe…  Foi um fase de muitas respiradas profundas nesse período. Confesso que não foi fácil! Me “mudei” nesse meio tempo para a casa dos meus pais, passei um mês por lá resolvendo os últimos detalhes da entrega do apartamento, recebendo carinho da família e aproveitando cada segundo pertinho deles e dos amigos, e no dia 4 de maio de 2018, parti para Qingdao de mala e cuia.

kuan yin

A estátua linda de Kuan Yin, que me emocionou em Laoshan (Qingdao)/ dezembro 2018.

 

IMG_5263

Minha primeira viagem à Shanghai (Tian Zi Fang / 23 de junho 2018). Acho que estava felizinha, né?

Vir a passeio é beeeem diferente de vir para montar a nossa casa, criar vínculos, de ouvir a língua diariamente para se virar e no processo, se sentir meio que na obrigação de começar a estudar o mandarim para poder se comunicar. Esse assunto é um capítulo à parte! Estudar mandarim foi a primeira coisa que decidi fazer desde que me mudei pra cá. Estou lentamente começando a entender algumas frases, mas ainda a léguas de distância de ser fluente. Tudo tem uma primeira vez, né?

GPTempDownload

Qingdao em dezembro de 2017, muito frio! Muito feliz de estar aqui. Mal sabia que realmente moraria aqui!

A China veio na minha vida como uma página em branco, pronta para ser escrita. Deixei família, minhas referências, o fuso e algumas coisas em caixas por lá no Brasil. Vim para apoiar meu marido, mas também (e principalmente) para me reencontrar, para descobrir o que essa experiência aqui vai me mostrar! Morar em outro país, tão diferente do seu, é uma experiência que muda a vida. Resolvi aceitar esse presente do Universo!

Esse primeiro post é um post de boas vindas para você que já vem me acompanhando lá no Instagram (muito amor por vocês!) e para quem caiu aqui de paraquedas e quer saber mais um pouco da China (sob meu ponto de vista, mas prometo buscar sempre ser interessante para todXs, tá?). Seja muito bem vindo@!

Dito isso tudo, sinta-se à vontade para me enviar uma mensagem, caso queira que eu fale sobre algum assunto específico ou tenha alguma curiosidade!

Obrigada por estarem por aqui nessa aventura junto comigo!

Xièxiè! 再见 !